Se o Sol desaparecesse neste instante, o céu não mudaria imediatamente. Durante pouco mais de oito minutos, a Terra continuaria recebendo a última luz — e seguindo sua órbita como se nada tivesse acontecido.
A notícia chegaria atrasada
A distância entre a Terra e o Sol é tão grande que a luz leva cerca de oito minutos e vinte segundos para fazer o caminho. Quando olhamos para o Sol, portanto, não vemos o estado dele neste exato segundo, mas uma imagem do passado recente.
Isso vale para qualquer mudança que pudesse acontecer no Sol. Primeiro, a informação viajaria pelo espaço; só depois nossos olhos perceberiam a diferença. O Sol poderia desaparecer no momento em que você lesse esta frase e ainda pareceria estar no céu por vários minutos.
Por alguns minutos, nada pareceria errado
Durante esse intervalo, o dia continuaria claro, as sombras continuariam apontando para o mesmo lado e a Terra continuaria percorrendo sua trajetória ao redor do Sol. Não haveria uma onda visível atravessando o céu nem um alarme cósmico tocando nas cidades.
Quando a última luz chegasse ao fim, a mudança seria imediata para a nossa percepção: o Sol sumiria, e a luz direta que alimenta o clima e a vida deixaria de alcançar o planeta.
A gravidade também teria um atraso
O detalhe menos intuitivo é que a gravidade não seria percebida antes da notícia visual. Na relatividade geral, mudanças no campo gravitacional se propagam à velocidade da luz. Assim, por cerca de oito minutos, a Terra continuaria sentindo a atração do Sol.
Depois disso, no cenário imaginário em que o Sol simplesmente deixasse de existir, a Terra não cairia para baixo. Ela deixaria de fazer a curva da órbita e seguiria em linha aproximadamente reta, tangente ao caminho que percorria.
O planeta não congelaria na mesma hora
A escuridão seria rápida, mas o congelamento completo não. A atmosfera, os oceanos e o solo armazenam calor, então a temperatura começaria a cair gradualmente. Plantas poderiam sobreviver por algum tempo usando reservas, mas a fotossíntese seria interrompida quando a luz acabasse.
Com o passar das semanas e dos meses, a superfície ficaria cada vez mais fria. O oceano teria regiões protegidas pelo gelo e pelo calor interno da Terra, mas o equilíbrio que sustenta a vida na superfície seria destruído.
E se o Sol virasse um buraco negro?
Essa é uma hipótese diferente, mas ajuda a separar dois efeitos que costumam ser confundidos. Se o Sol fosse substituído instantaneamente por um buraco negro com exatamente a mesma massa, a órbita da Terra não mudaria. A gravidade a uma grande distância dependeria da massa, não de o objeto emitir luz.
O problema seria a ausência de energia. A Terra continuaria em órbita, mas sem receber luz e calor suficientes para manter o ambiente atual. Já o desaparecimento total do Sol, usado na pergunta deste artigo, também removeria a massa que mantém essa órbita.
A resposta curta
A Terra não perceberia o desaparecimento imediatamente. Primeiro passariam cerca de oito minutos e vinte segundos de luz normal; depois, o céu escureceria e a influência gravitacional do Sol deixaria de conduzir a órbita. A escuridão chegaria antes do congelamento, mas o fim da luz iniciaria uma transformação planetária profunda.
Perguntas frequentes
Veríamos o Sol desaparecer no mesmo instante em que ele sumisse?
Não. Veríamos a última luz emitida antes do desaparecimento e só receberíamos essa informação depois de aproximadamente oito minutos e vinte segundos.
A Terra cairia para baixo?
Não existe um “baixo” universal apontando para o Sol. Sem a força que curva sua trajetória, a Terra seguiria aproximadamente em linha reta, tangente à órbita anterior.
Ela congelaria imediatamente?
Não. A superfície perderia energia aos poucos, porque oceanos, atmosfera e solo guardam calor. A escuridão seria imediata, mas o resfriamento teria uma progressão.